Manual de Redação
Parece-me óbvio que quando estiver na página policial escreverei sobre crimes, assaltos, delitos. E que não escreverei sobre futebol na editoria de política, nem de crise no Oriente Médio na área econômica. A menos que sejam assuntos relacionados. Também me parece claro não dissertar sobre o cabelo da recordista mundial dos 100m rasos no editorial de uma revista cultural. Concluo com isso que não sofrerei de falta de unidade temática.
Quando necessitar ilustrar uma eleição ou catástrofe natural recorrerei a a eleitores, urnas, votos ou terremotos, deslizamentos de terra ou furacões, não a comum falta de potência sexual dos homens acima dos 70 anos, nem dos calorões recorrentes à menopausa. Observo que a concretude sonhada e desejada por todas as áres dos saber não há de me faltar.
Suponho também que ao escrever sobre a final de um evento esportivo importante ou sobre a posse de um presidente da república, não vá perder importantes linhas a que tenho direito e o dever de bem ocupá-las escrevendo sobre a alegria das crianças que entraram em campo com os jogadores na final da Copa do Mundo ou que vá falar sobre o magnífico modelito utilizado na posse do novo mandatário nacional por nossa mais nova primeira-dama, que mesmo sendo tupiniquim prefere etiquetas novaiorquinas. Enfim, não farei esforço para não informar objetivamente.
Finalmente, qualquer matéria que terei de redigir terá de ser redigida por ter alguma relevância, nem que seja para poucas pessoas situadas em algum beco do espaço. Nenhum editor minimamente ajuizado precisará de supérfluos (ao menos onde pretendo exercer minha futura profissão). Enfim, o questionamento e o respectivo interesse gerado são naturais. Interesse este naturalizado pela importância do conteúdo em si ou por letras garrafais na primeira página.
Ao rever esses pontos em que tentaram, e por mais dois semestres continuarão tentando, nos modelar nesses últimos meses vejo a total incapacidade pedagógica do sr. Paulo Coimbra Guedes e de suas discípulas. Creio que terão de pedir aposentadoria imediatamente ou serão exonerados por justa causa. Ser doutor e mestre dizendo o que está à altura dos olhos de qualquer alfabetizado não parece um grande feito. A fôrma que nos passam como a base de qualquer texto é mais velha que a fôrma que foi feito Adão. É mais usual e comum que a fórmula da água ser H2O e o oxigênio ser indispensável à vida humana. Portanto, não queiram dizer que sou A, B ou C por acharem que meu texto é dispersivo, abstrato, subjetivo e sem graça. Se for, ninguém lerá. Ninguém leria. Mesmo que seja ou que fosse, nesses casos nada melhor que um publicitário ou um relações públicas. Então, até mais ver, Pati.
Rodolfo Mohr

2 Comments:
Uma crítica extremamente relevante.
É necessário que se faça uma revisão dos objetivos, assim como das formas de alcançá-los, nas disciplinas que têm por função ensinar os futuros comunicólogos a escrever.
Será que o valor de um texto pode ser mensurado em alguns pares de quesitos estipulados por alguém.
Bom, se em alguns meses de universidade federal não aprendemos mais do que a nos enquadrar no exigido, ao menos conhecemos uma coisa chamada visão crítica que nos permite notar que o que há não basta, não serve, e que deve ser repensado.
assino embaixo.
adios Guedão. nessa cadeira todo mundo merece A e não é um gramático (sei lá o que ele era) que vai me dizer como que eu tenho que escrever. e tenho dito.
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